domingo, 20 de março de 2011

O Cortiço

Olá, pessoas! Hoje trago a resenha de um dos meus livros favoritos: “O Cortiço”, de Aluísio Azevedo. Considerado um clássico da literatura brasileira, “O Cortiço” é leitura obrigatória para qualquer pessoa que se considera amante de livros, ou bookaholic como preferem alguns.

Vamos à sinopse: João Romão, um ambicioso e miserável português, adquire uma pequena venda ao lado da quitanda de Bertoleza, uma escrava fugida que faz do trabalho sua vida. Depois que o companheiro de Bertoleza morre, João Romão se mostra muito solícito e acaba conquistando a confiança da escrava e, aproveitando-se da situação, o português forja uma carta de alforria e a assume, passando, então, a viverem como casal. João Romão aproveita o dinheiro de Bertoleza e compra uma pedreira e um terreno, onde constrói um cortiço – melhor, O cortiço. Ao lado dele mora Miranda e sua família, que também são portugueses, um pouco mais abastados e que não suportam nem João Romão nem os habitantes singulares e barulhentos do cortiço dele, que consiste basicamente de trabalhadores humildes (lavadeiras, trabalhadores das pedreiras próximas, caixeiros) e suas intermináveis famílias.

O livro trata das relações entre os personagens (que são muitos) e suas evoluções ou involuções ao longo do tempo. O próprio cortiço é trabalhado como um personagem, um microorganismo que também evolui e se transforma como os seus moradores. E que moradores! Cada qual com sua história e seus problemas, mas todos unidos para o que der e vier. Sempre se ajudando e, claro, falando da vida uns dos outros, os carapicus (como se denominaram os moradores do cortiço de João Romão) vão levando a pobre vida cheia de limitações, mas sempre com um bom pagode aos finais de semana!

“O Cortiço” é representante da escola literária do Naturalismo, que se caracteriza por ser uma radicalização do realismo, negando ao máximo as características românticas e nutrindo-se da observação fiel da realidade, bem como retratando as mazelas sociais e os defeitos humanos da forma mais crua possível. Por isso, nada nesse livro é clichê. Nenhuma história contada nele termina de forma previsível, não há redenção ou transformação de vilões ou pessoas 100% boas. Como disse, é uma descrição fiel e cética da realidade. Para quem quer dar uma variada no estilo romântico e ler uma coisa diferente, esse é o livro!

Aluizio Azevedo escreveu esse livro em 1890, mas ele é ainda muito atual. Dá para dizer com toda segurança que “O Cortiço” é atemporal e, assim, sua leitura ou releitura é sempre prazerosa. Além disso, Azevedo foi muito corajoso ao incluir naquela época um homossexual assumido e uma cena lésbica no enredo – o que o deixa mais atual ainda. (E você pensando que a cena Portman/Kunis em Cisne Negro era revolucionária, hein? ;p).

Bem, pessoal, é isso por hoje. Nas minhas pesquisas para fazer essa resenha descobri que existe um filme de O Cortiço, feito em 1977, com Betty Faria como Rita Baiana. Pelos vídeos que vi no Youtube, o filme conseguiu retratar bem o livro – até os diálogos são bem reproduzidos. Quem conseguir vê-lo também vai se divertir muito, com certeza. E outra coisa: O Cortiço hoje é de domínio público e, por isso, é bem fácil e barato adquirí-lo. O meu livro comprei no metrô de São Paulo por R$2,00 para vocês terem uma ideia! E é verdade, viu? Taí Virgínia que não me deixa mentir!

Bom domingo a todos!!

P.S.: Não quis falar de todos os personagens e suas tramas porque o post ia ficar gigante se o fizesse! Mas saibam que o livro trata também as estórias dos principais moradores do cortiço (Rita Baiana, Pombinha, Machona, Bruxa, Alexandre e Augusta, Leocádia e Bruno, Jerônimo e Piedade, Albino, etc.), além da de João Romão e da família Miranda.

2 comentários:

  1. Muito legal ler uma resenha sobre "O Cortiço", percebo que está difícil de eu encontrar pessoas que se interessem por livros antigos, especialmente em língua portuguesa. Só vejo por aí apanhados de clichês e livros da "moda". Abri até um sorriso quando vi o post ;) O Cortiço é um livro muito bom, e também tive a oportunidade de assistir a uma peça de teatro excelente que ilustrava bem a história, e acabou que ela nunca mais saiu da minha memória.

    Legal a "iniciativa" e resenha muito bem escrita. Parabéns! =)

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  2. Eu nem lembro se li O Cortiço na minha época de colégio!! Lembro que li vários clássicos e que a minha professora louca de literatura do 1° ou 2° ano (não lembro com certeza) tratou do livro de uma forma bastante inusitada, mas acredito que terminei nem lendo ele, o que é uma pena, pois achei o enredo interessantíssimo!!

    Vou colocá-lo na minha pilha de clássicos que preciso ler esse ano!! Valeu por me lembrar, Prix!! A resenha ficou ótima!!

    =*

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