domingo, 29 de maio de 2011

Dica de Filme: Quanto vale ou é por quilo?

Olá, queridos leitores! Quem costuma ler meus posts no blog já deve ter notado que gosto de indicar livros, séries e filmes meio alternativos, por assim dizer. Hoje vou falar de um filme bem alternativo. O mais diferente de tudo que já indiquei aqui – coisa que só eu mesmo pra ver numa prateleira de DVD’s e ter vontade de comprar. É o nacional “Quanto vale ou é por quilo?”.

Esse filme é dirigido por Sérgio Bianch, diretor conhecido por fazer filmes críticos sobre a burocracia e as mazelas institucionais brasileiras, e faz um comparativo entre a realidade dos negros e pobres no Brasil de hoje com o da época da escravidão no século XVIII, mostrando que pouquíssima coisa mudou de lá pra cá. Ele faz uma crítica à “indústria da solidariedade”, em que as ONG’s, a elite com a dita “consciência social”, empresas e o governo se aproveitam da pobreza e da necessidade da classe mais pobre do país para lucrar e posar de bonzinho para o restante da sociedade.

Bianch expõe sua opinião misturando histórias reais do tempo da escravidão – retiradas dos arquivos da época imperial – e uma história “fictícia” atual, fazendo um paralelo entre elas e mostrando figurativamente que nada mudou. E para assegurar que o espectador entenda isso bem rápido, os mesmos atores fazem as histórias das duas épocas e normalmente no mesmo papel ou num muito semelhante.

Muitos atores de renome nacional fazem “QVOEPQ?”, e todos desenvolveram um ótimo trabalho. Pelo desenvolvimento e desenrolar do enredo, não tem como apontar protagonistas e antagonistas – todos são um pouco de cada – e a atuação excelente de todos os envolvidos faz com que cada personagem tenha seu brilho no filme. Além de Ana Lúcia Torre e Herson Capri , temos Caco Ciocler, Lázaro Ramos, Joana Fomm, Milton Gonçalves, Ana Carbatti, dentre (muitos) outros.

Como exemplo dos paralelos traçados por Bianch, podemos citar o relato da história de uma escrava velha que tinha que pagar 34 mil réis para o dono para ter sua alforria concedida. Ela então pede ajuda a uma “amiga” branca abastada, e diz que se esta pagar sua alforria ela trabalhará por um ano pra a amiga e fará trabalhos extras para terceiros pra pagar a dívida, com 7,5% de juro ao ano. A amiga branca aceita a proposta depois de pesar os lucros. Depois de 3 anos trabalhando muito, a ex-escrava paga a dívida e a amiga recebe um lucro de mais de 8 mil réis e ambas ficam muito felizes. Nos dias atuais, uma senhora mais pobre que fazer uma festa de casamento para a sobrinha, mas não tem dinheiro, mesmo trabalhando em dois empregos. Uma “amiga” mais abastada diz que paga a festa e ela poderá saldar a dívida trabalhando pra ela por um ano. Aí, a gente já sabe o que vai acontecer, né? A “amiga” abastada é interpretada por Ana Lúcia Torre nas duas histórias.

É com essa e com várias outras denúncias na 1h40min de filme que chegamos à conclusão que realmente tem muita coisa errada nas ditas ações beneficentes. Depois de ver “QVOEPQ?”, nunca mais vamos tomar como 100% sincera uma atitude que se diga altruísta. Não que não existam exceções, mas o nosso senso crítico ficará mais aguçado para detectar as segundas intenções que possam existir ali.

O filme tem limite etário de 14 anos e é cheio de cenas fortes, com tortura física e psicológica, agressões verbais e assassinato. Então, não é para se ver com criança – até porque elas não vão entender o real teor e profundidade da película. É um filme denso, que me fez pensar “PQP, como não notei isso antes?”, e me ensinou muito a não acreditar em tudo que se diz “vindo do coração” das ONG’s, entidades beneficentes, governo...

É isso aí, pessoal. Para o trailer, clique aqui. Bom domingo a todos!!

3 comentários:

  1. O filme parece ser muito bom, só não sei se eu aguentaria essas cenas tão fortes. Acabo sofrendo junto.

    Beijos.

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  2. Eu vi esse filme na época do lançamento. Muito bom mesmo!

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  3. É o pior filme brasileiro que eu já vi.

    O momento mais insano foi o do psicopata interpretado pelo lázaro Ramos, querendo dar lição de moral no sujeito que ele sequestrou. Puro lixo cinematográfico !!!

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