domingo, 7 de agosto de 2011

Berro Novo - Jessier Quirino



Olá, pessoas! A novela Cordel Encantado (Rede Globo, 18h) vem mostrando de uma maneira belíssima um pouco da cultura nordestina ao resto do Brasil. Houve uma identificação enorme do povo nordestino com essa novela, tanto que virou o comentário do momento por aqui. E por que eu estou falando de Cordel num post de resenha de livro? Porque foi inspirada nesse levante nordestino que ela trouxe que resolvi escrever os posts do mês de agosto todos sobre obras que valorizam a cultura nordestina. Para começar, trago a mais recente obra do poeta paraibano Jessier Quirino: Berro Novo.

Berro Novo é o terceiro livro de Jessier, que ficou conhecido pelos causos super engraçados que conta, mas que gosta de ser lembrado como um poeta apaixonado pelo sertão nordestino e os inúmeros personagens típicos que saem de lá. Então, Berro é um livro de poesias, mas que tem também músicas (o livro acompanha um CD com declamações, faladas e cantadas, do autor), contos e causos retirados de suas andanças pelo sertão.

As poesias falam de todo tipo de assunto, como por exemplo, internet, ecologia, política e costumes locais, tudo com o linguajar nordestino. Mas nada que não dê para entender. Mesmo que o leitor não seja acostumado com as palavras ou a linguagem utilizada vai entender e rir também – nesse aspecto, o CD ajuda muito.

Todas as poesias são de muita qualidade e estão ajudando a eternizar e divulgar um pouco da cultura sertaneja. Para se ter uma idéia, todas as apresentações que Jessier faz por aqui são muito procuradas e chegam a lotar teatros. Tudo isso para ver um ex-arquiteto, de 40 de poucos anos, contar histórias e declamar poesias.

Não há muito mais a escrever. O bom é ter a experiência de ler e ouvir as histórias. Por isso, para finalizar, transcrevo aqui uma pequena poesia e deixo vídeos com dois dos causos mais engraçados contados por Jessier – sobre a primeira vez que um matuto fumou um cigarro de maconha e quando um matuto analfabeto foi ver um filme americano legendado na capital.

Um abraço e bom domingo!!
“Vende-se sítio assim, assim...”
“Meu sítio tava quebrado
Eu sem tostão pra trocar
Pedia quinze mil conto
Mode o sítio me livrar
Queriam comprar na valsa
E eu só fechava se fosse
Tico-tico-no-fubá."
"Mandei botá no jorná:
Vende-se sítio assim, assim
Etc. e coisa e tá."
"O cabra bom de anúncio
Caprichou no blá-blá-blá:"
"...tanto de palma de corte
Terreno bom de plantar
Estrada sul a norte
Açude chei de sangrar
Um corredor de aveloz
Cachorro bom de caçar
Duas Mococa leiteira
Trinta litros as duas dá
Um papagaio falante
Um galo bom de acordar
Uma jumenta educada
Que até mulher operada
Vive nela a passear."
"Eu disse: “o diabo é quem vende
Um sítio dessa valia
Se eu pedisse trinta mil
Trintamilmente eu vendia”"
"Cheguei pra jornal e disse:
“Deixe esse anúncio pra lá
Pois o sítio anunciado
Melhor, no Sertão, não há
Esqueça que tou quebrado
Sou cabôco afortunado
Etc. e coisa e tá.”"





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