quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Em Cartaz: O Bem Amado

Sinopse:
Adaptação da obra de Dias Gomes, O Bem Amado retorna, agora nas telonas, para contar a história de Odorico Paraguaçu (Marco Nanini), prefeito da cidadezinha de Sucupira, com vocação nata para a verborragia, cheio de neologismos, além de ser um típico demagogo.
Sua principal meta como prefeito é a criação de um cemitério, o qual não consegue inaugurar tendo em vista a ausência de defuntos.
Durante sua gestão, conta com o apoio das irmãs cajazeiras (Zezé Polessa, Andréa Beltrão e Drica Moraes) e do seu assessor de gabinete, Sr. Dirceu Borboleta (Mateus Nachtergaele), mas sofre forte oposição por parte do dono do jornal local, Vladimir (Tonico Pereira).

Ficha Técnica:
Roteiro: Cláudio Paiva e Guel Arraes baseado na obra de Dias Gomes
Direção: Guel Arraes
Elenco: Marco Nanini, José Wilker, Mateus Nachtergaele, Tonico Pereira, Zezé Polessa, Andréa Beltrão, Drica Moraes, Maria Flor, Caio Blat, Edmilson Barros, Bruno Garcia.

Antes de falar sobre o filme em si, vou explicar para vocês, nossos leitores do blog, um pouquinho sobre o histórico do Bem Amado.

O Bem Amado, originalmente, foi uma peça teatral escrita por Dias Gomes em 1962 com o título "Odorico, O Bem Amado e Os Mistérios do Amor e da Morte". Após muita luta, o autor conseguiu vê-la encenada pela primeira vez em 1969.

Já em 1973, foi transformada em telenovela pela Rede Globo, cujo roteiro também foi escrito por Dias Gomes, e foi um grande sucesso. Na década de 80, decidiu-se dar continuidade a telenovela, sendo que, para tanto, a Rede Globo resolveu produzir essa continuação na forma de série, a qual teve fim em 1984.
Após mais de duas décadas, O Bem Amado, retorna ao cenário cultural brasileiro, dessa vez na forma de filme e com um elenco diferente, cujo roteiro foi baseado no texto da telenovela de Dias Gomes por Guel Arraes e Cláudio Paiva. Ressalte-se que o filme restringe-se a história transmitida na novela, não abordando a continuação da série.

Pois bem, Odorico Paraguaçu é eleito prefeito do município fictício de Sucupira, lugarejo no interior baiano, após o assasinato trágico do ex-prefeito por Zeca Diabo, um assassino da região.

Odorico é uma figura tipicamente caricata dos políticos demagogos, cheio de um discurso verborrágico e que adora um neologismo. E são extamente seus discursos que garantem ótimas risadas do início ao fim do filme. Só para vocês terem uma idéia, vou citar alguns neologismos e frases clássicas ditadas por ele: "construimento"; "genipapista"; "caluniamento"; "prafrentemente";

"Meus conterrâneos, vim de branco para ser mais claro. Esta cidade precisa ter um cemitério";

"Os finalmentes justificam os não obstantes";

"Botar de lado os entretantos e partir para os
finalmentes".
Como já destacado na sinopse, sua meta de campanha é a construção de um cemitério, o que só ocorre aos trancos e barrancos, em razão dos golpes do jornalista opositor Valdir e depois de muitos desvios e cortes da verba pública.

Contudo, apesar de ter construído o cemitério, o prefeito não consegue inaugurá-lo, pois ninguém morre na cidade. O que leva Odorico a cometer diversas loucuras, dentre elas contratar Zeca Diabo como seu delegado - pra ver se ele matava alguém -, as quais culminam no fim trágico de seu governo.

Além da ótima interpretação de Marco Nanini, o restante do elenco também não deixa a desejar, sendo que eu também quero destacar a atuação de Edmilson de Barros, como o "Moleza", personagem que me arrancou muitas risadas.

Apesar de engraçado, de possuir um ótimo elenco, um lindo cenário e uma maravilhosa trilha sonora, o roteiro do filme deixa a desejar quando este chega em sua metade, uma vez que começa a ficar bem parado e até meio perdido. Também é preciso criticar um pouco o Zeca Diabo interpretado por José Wilker, pois este começou muito bem, mas, ao retornar na segunda parte do filme não convenceu. Além disso, as cenas românticas envolvendo a filha de Odorico, Violeta, e o jornalista Neco pareciam fora de lugar, sem contar que ficou a impressão de que eles foram dublados.
Para quem tiver interesse, é possível ler a obra de Dias Gomes, O Bem Amado. A Editora Bertrand lançou uma nova edição agora em 2010 e a leitura é muito gostosa, além de engraçada, pois o texto é escrito em forma de peça teatral mesmo. A capa do livro é essa ao lado.
E para concluir, vou citar pra vocês um trechinho da nota de Dias Gomes de 1970, que vem dentro do livro, na qual ele fala um pouco sobre o personagem Odorico Paraguaçu e sua relação com os políticos brasileiros:

"Odorico Paraguaçu é um tipo de político que - embora a prática das eleições pareçam já coisa do passado - é bastante comum, não só no interior como nas grandes cidades. É claro que o grau de demagogia e paranóia é variável. Mas o processo é o mesmo. E não se pense que a proibição do povo de eleger livremente seus candidatos nos livra dos Odoricos provincianos ou citadinos, estaduais ou federais. Eles existem e continuarão existindo, com maior ou menor extroversão, porque são frutos, não da prática da democracia, mas da alienação e do oportunismo dos governantes, eleitos ou nomeados, escolhidos ou impostos." (p. 8)

2 comentários:

  1. Ainda não vi o filme, tô meio desatualizada de cinema, mas parece ser bem legal!!!

    Ótima resenha, Carol!!!!

    ;D

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  2. Vi o trailer e parece ser divertido ;)

    Resenha ótima. :)

    ResponderExcluir

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